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quarta-feira, 14 de maio de 2014

PESAR

Eu era apenas uma luz opaca no fim do corredor sombrio.
Escalador de memórias tristes e nada mais.

Eu viajei escondido nos sonhos de quem não me sentia.
Moribundo, déspota de meus próprios sentimentos.

Eu queria saber de onde vinham os sorrisos falsos.
Mas me esqueci de esconder os que trazia guardado comigo.

Eu desejei a morte a cada dia de imensa claridade.
Mas adormecia sempre na calçada, esquecido pela noite.

Eu fugi de medo dos olhares que me apontavam os erros.
Mas enfrentei os piores dias ao lado da agonia dos sentidos.

Eu vislumbrei o infinito no fim da própria existência
Mas deparei-me com o vazio imenso da escuridão das almas.

E o vazio me encontrou sozinho,
E eu não podia mais correr fugindo de mim mesmo.
E agora as cinzas me cobriram o corpo inteiro,
E escondido eu observo os astros que caem no vácuo.
E sempre que passas eu me oculto,
E agora não resta mais nada de quem um dia eu fui.
Então eu esperei o fim da estrada,
Mas tudo o que encontrei foram mais pegadas rumo ao nada.



Por: Franco Neto.
Formado em História pela UESPI e Pós Graduado em Estado, Movimentos Sociais e Cultura.
Professor de História do Município de Teresina - Piauí.

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