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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014



Anjo Negro

Anjo negro que vigias minhas horas letárgicas. Eu ouço teus soluços que confundem-se com os meus. Nesta noite lúgubre e morna a hipocrisia dos homens nos assusta. Quisera eu ter a tua proteção, mas tu também te encontras perdido, abatido e cansado. Os sorrisos não são verdadeiros, as súplicas são egoístas, as verdades são falseadas, os defeitos são mascarados e as virtudes são embelezadas pelo orgulho excessivo. Fostes tu quem primeiro sofreu a amargura da descoberta da realidade mundana que se esconde atrás de sorrisos sorrateiros. A ingratidão é o pior dos defeitos humanos? Tu me perguntas isso ou afirmas com toda a força de teu espírito rachado? Não sabemos bem o que pensar não é meu escudeiro negro? Hoje tu te tornas tão mortal quanto eu. Tuas inquietações se tornam as minhas também. Hoje somos companheiros de lamúrias e decepções. Nossas articulações contritas latejam e nos deixam prostrados no chão frio desse quarto fétido. Onde estão as religiões dos homens? Tu me perguntas o que não tem resposta ou temes o que te responderei? Quem sou eu para dar-te tais assertivas? Esperava eu que tu me dissesses estas verdades, ou serão apenas mentiras bem contadas? Seja lá como for, as religiões são tão hipócritas quanto os próprios hipócritas humanos. Talvez tenha sido a própria religião que os tornou tão hipócritas. A fraqueza dos homens reside na incapacidade de reconhecerem-se falíveis. Não aceitam, e buscam desesperadamente por algo que possa receber a culpa de sua triste condição de derrotado. Já, então não são os responsáveis por seus erros e muito menos por seus acertos. É a anulação completa dos seus sentidos, sua consciência, sua individualidade. Não te assustes companheiro de jornada. Não sou assim tão destrutivo mas não existe uma maneira mais amena de falar de seres tão hipócritas. Sim! Também sou humano... estais a me chamar de hipócrita também? Que assim seja! Toma comigo então, mais uma dose desse vinho amargo. Enebria-te com minhas amargas palavras de hipócrita que também achas que sou. Mas talvez a maior hipocrisia esteja na condição de não aceitar-se responsável por aquilo de certo ou errado que se faz.


Por: Franco Neto.
Formado em História pela UESPI e Pós Graduado em Estado, Movimentos Sociais e Cultura.
Professor de História do Município de Teresina - Piauí.

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