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quarta-feira, 14 de maio de 2014

PESAR

Eu era apenas uma luz opaca no fim do corredor sombrio.
Escalador de memórias tristes e nada mais.

Eu viajei escondido nos sonhos de quem não me sentia.
Moribundo, déspota de meus próprios sentimentos.

Eu queria saber de onde vinham os sorrisos falsos.
Mas me esqueci de esconder os que trazia guardado comigo.

Eu desejei a morte a cada dia de imensa claridade.
Mas adormecia sempre na calçada, esquecido pela noite.

Eu fugi de medo dos olhares que me apontavam os erros.
Mas enfrentei os piores dias ao lado da agonia dos sentidos.

Eu vislumbrei o infinito no fim da própria existência
Mas deparei-me com o vazio imenso da escuridão das almas.

E o vazio me encontrou sozinho,
E eu não podia mais correr fugindo de mim mesmo.
E agora as cinzas me cobriram o corpo inteiro,
E escondido eu observo os astros que caem no vácuo.
E sempre que passas eu me oculto,
E agora não resta mais nada de quem um dia eu fui.
Então eu esperei o fim da estrada,
Mas tudo o que encontrei foram mais pegadas rumo ao nada.



Por: Franco Neto.
Formado em História pela UESPI e Pós Graduado em Estado, Movimentos Sociais e Cultura.
Professor de História do Município de Teresina - Piauí.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Esse é um dos meus primeiros textos que insisto em chamar de poema. Não tem título, por isso deixe sua sugestão...


"Um barco...
Várias gaivotas,
O vento tímido e sutil.
O céu, unido-se à linha do mar.

Uma dor...
Pura, constante, insuportável.

Caravelas...
Almas à deriva,
Perdidas na imensidão do dia.

Aprisionastes a mim,
Marujo desajeitado,
Completamente acorrentado às tuas injúrias impróprias.

Tinha então o meu lugar,
Estava esquecido, reservado à tua esquerda,
Da forma como havias me prometido.

Me fiz fiel...
Pontual em todos os teus desejos.

Mas eis então minha sentença
Soturno e perdido
Nas escuras paragens do teu peito."



Por: Franco Neto.
Formado em História pela UESPI e Pós Graduado em Estado, Movimentos Sociais e Cultura.
Professor de História do Município de Teresina - Piauí.
(em algum lugar do passado)

LÁGRIMA!

"O poder do sonho é inviolável
E incorruptível.
É silenciar no escuro do quarto, e
Buscar no íntimo menos escondido,
A chave do futuro que se abre,
Quando os olhos se fecham..."



Por: Franco Neto.
Formado em História pela UESPI e Pós Graduado em Estado, Movimentos Sociais e Cultura.
Professor de História do Município de Teresina - Piauí.
(em um dia qualquer do ano de 1996)

Sou mesmo um sujeito estranho
Amante das noites insones
Devorador de madrugadas esquecidas

Andando sobre corpos frios estirados na praia
Cavalgando na escuridão de cantos ocultos
Aprisionando meus sorrisos que machucam a pele

Nada escrevo em meu testamento
Apenas atesto minha loucura todos os dias
Me escondo da luz do sol e dos olhares duvidosos

Dedos em riste apontam os pecados
Pois sou eu quem corre com medo
Sou eu quem desafia a escuridão da alma

Sou eu quem procura os perigos
Sou eu quem sufoca o teu nome

Mas as noites aqui são tão frias!
Roubam de mim os melhores momentos
Então me esqueço das dores
Entrego-me covardemente à morte que chega sem avisar!


(01/06/2012)


Por: Franco Neto.
Formado em História pela UESPI e Pós Graduado em Estado, Movimentos Sociais e Cultura.
Professor de História do Município de Teresina - Piauí.

PRA VOCÊ, MÃE DE DRAGÕES!

Agora é caminhar... Não me pergunte a direção a seguir, pois nada sei desse futuro que se aproxima...Nos meus tempos de juventude não sabia bem o que esperar, mas sabia tudo sobre onde queria estar. Eis-me aqui... Tudo bem! Já não sou mais tão jovem como antes, mas ainda trago comigo um fervor insano, uma vontade inquieta de sempre ir em frente. Existe uma fagulha, existe um motivo maior. Algo inexplicável que me move, algo que me impulsiona... é como ouvir "Too Much Information" do The Police! É andar sempre por um triz, no fio da navalha. É não esperar muito do futuro, é viver um dia de cada vez como se fosse sempre o último de toda a vida. Não ter planos, esse é o plano perfeito pra quem ainda mantem-se jovem, pra quem tem a alma eterna. Não saber pra onde se quer ir às vezes é o melhor caminho pra se seguir. Mas não saber pra onde ir não significa ficar inerte. Se tiver que mudar não sentirei dificuldades, camaleão que sou, existo sempre na medida certa dos meus desejos mais ousados, sempre ávido por mudanças e de rotas alteradas.



Quanto ao resto? É viver...
Intensamente saborear do veneno doce e das loucuras da vida... sem medos, sem preconceitos, mas sempre com você a saborear comigo mais uma dose, mais um suspiro, mais uma tarde de sangue, açúcar, sexo e magia... como se jamais tivesses saído de perto de mim...

Nosso futuro começa agora, bem debaixo dessa frondosa árvore chamada REALIDADE, que se descortina pra nós como no palco de um teatro escuro, onde juntos poderemos beber das loucuras mais desvairadas e sorrir deliciosamente de nossos próprios medos, da maneira que só os velhos que não perderam a juventude sabem fazer!!!

Mãe de dragões, cá estou!!!
Em tuas asas púrpuras deitarei meus pés cansados da viagem que empreendi à tua procura. Agora só te resta acolher-me.



Por: Franco Neto.
Formado em História pela UESPI e Pós Graduado em Estado, Movimentos Sociais e Cultura.
Professor de História do Município de Teresina - Piauí. 



Hoje, decepcionado com o modo como a Educação Pública é gerida. Se já não fosse suficiente o desrespeito com os professores, explicitamente praticado, com falta total de recursos para se trabalhar, baixíssima remuneração e escolas sucateadas, eles estão conseguindo acabar também com o bem mais precioso de quem trabalha em sala de aula: o amor em transmitir conhecimento. Dessa forma eles vão conseguir o que tanto almejam: o fim da educação como a chave de transformação da sociedade. Hoje estou me decepcionando, me sentindo desmotivado, desprestigiado. É muito ruim a sensação que se tem de que o trabalho não é executado da forma como deve ser o correto. Manipulam, ameaçam, te usam. 

Quando estava na Universidade, eu já sabia que a educação não era o "mundo maravilhoso" que muitos pedagogos querem te fazer acreditar. Mas sempre tive a consciência de que o trabalho do professor é um trabalho de formiga. Lento, árduo, cansativo... mas extremamente recompensador. Ver a transformação de uma vida, e ter a certeza de que essa mudança tem relação com uma palavra, ou uma ação praticada por um professor em sala de aula, é algo inexplicável. Mas isso tudo está sendo corrompido. Querem nos fazer robôs. Querem que sejamos meros bonecos. Não querem deixar que o professor seja um transformador da realidade de muitos estudantes que ainda clamam por conhecimento.
Desculpem o desabafo, mas hoje sinto-me fraco, desamparado e impotente diante daquilo que querem fazer da profissão de professor...



Por: Franco Neto.
Formado em História pela UESPI e Pós Graduado em Estado, Movimentos Sociais e Cultura.
Professor de História do Município de Teresina - Piauí. 

VERTIGEM

Meus olhos vermelhos denunciam minhas loucuras nesta manhã cinza.

Debruçado sobre meus erros eu já não sei mais quem sou e nem onde estou.
Da vida o que já vi parece pouco e vivo sempre andando, perdido feito um louco.

Então é hora de sair do telhado e abrir todas as janelas.
Deixar a brisa varrer a poeira dos móveis e dilatar minhas narinas obstruídas pela ânsia de minha última madrugada de quimeras.

Que o fogo me devore... em suaves sensações entorpecentes.
Que me queime por inteiro, até que restem apenas cinzas no braseiro.

E os pesadelos já não causam tanta dor.
E minhas horas não serão mais tão frias.
Os teus beijos já não sangram minha alma.
Já não tenho as mãos mais tão vazias.


Por: Franco Neto.
Formado em História pela UESPI e Pós Graduado em Estado, Movimentos Sociais e Cultura.
Professor de História do Município de Teresina - Piauí.


Anjo Negro

Anjo negro que vigias minhas horas letárgicas. Eu ouço teus soluços que confundem-se com os meus. Nesta noite lúgubre e morna a hipocrisia dos homens nos assusta. Quisera eu ter a tua proteção, mas tu também te encontras perdido, abatido e cansado. Os sorrisos não são verdadeiros, as súplicas são egoístas, as verdades são falseadas, os defeitos são mascarados e as virtudes são embelezadas pelo orgulho excessivo. Fostes tu quem primeiro sofreu a amargura da descoberta da realidade mundana que se esconde atrás de sorrisos sorrateiros. A ingratidão é o pior dos defeitos humanos? Tu me perguntas isso ou afirmas com toda a força de teu espírito rachado? Não sabemos bem o que pensar não é meu escudeiro negro? Hoje tu te tornas tão mortal quanto eu. Tuas inquietações se tornam as minhas também. Hoje somos companheiros de lamúrias e decepções. Nossas articulações contritas latejam e nos deixam prostrados no chão frio desse quarto fétido. Onde estão as religiões dos homens? Tu me perguntas o que não tem resposta ou temes o que te responderei? Quem sou eu para dar-te tais assertivas? Esperava eu que tu me dissesses estas verdades, ou serão apenas mentiras bem contadas? Seja lá como for, as religiões são tão hipócritas quanto os próprios hipócritas humanos. Talvez tenha sido a própria religião que os tornou tão hipócritas. A fraqueza dos homens reside na incapacidade de reconhecerem-se falíveis. Não aceitam, e buscam desesperadamente por algo que possa receber a culpa de sua triste condição de derrotado. Já, então não são os responsáveis por seus erros e muito menos por seus acertos. É a anulação completa dos seus sentidos, sua consciência, sua individualidade. Não te assustes companheiro de jornada. Não sou assim tão destrutivo mas não existe uma maneira mais amena de falar de seres tão hipócritas. Sim! Também sou humano... estais a me chamar de hipócrita também? Que assim seja! Toma comigo então, mais uma dose desse vinho amargo. Enebria-te com minhas amargas palavras de hipócrita que também achas que sou. Mas talvez a maior hipocrisia esteja na condição de não aceitar-se responsável por aquilo de certo ou errado que se faz.


Por: Franco Neto.
Formado em História pela UESPI e Pós Graduado em Estado, Movimentos Sociais e Cultura.
Professor de História do Município de Teresina - Piauí.


- Demência - 

No mar de estrelas; imerso
A observar delírios; inquieto
Resta-me a glória fétida do feto
A esperar a frieza escura do Universo

E do vago riso que restava
Tua presença obscura esvaía
O penar desta alma crua e sombria
Errante, melancólica e mais nada.


Por: Franco Neto.
Formado em História pela UESPI e Pós Graduado em Estado, Movimentos Sociais e Cultura.
Professor de História do Município de Teresina - Piauí.


No dia 12 de fevereiro de 2000 morria o quadrinista Charles Schulz, criador da tirinha "peanuts", um dos maiores fenômenos mundiais dos quadrinhos. Ele faleceu devido ao câncer de cólon em sua casa em Santa Rosa, na Califórnia. Schulz tinha77 anos. A Turma do Charlie Brown fez parte de minha DOCE infância. Mesmo durante minha adolescência, Charlie Brown, Snoopy e demais personagens, rechearam minha vida com uma mensagem de simplicidade e fantasia. Ainda hoje tenho saudades das tardes em que sentados, eu e meus irmãos, Romualdo Franco e Rômulo Franco, assistia-mos as aventuras desta turma inesquecível. Charles Schulz, criador da tirinha da Turma do Charlie Brown fez seu último trabalho pouco antes de morrer. A tirinha foi publicada um dia após sua morte, no dia 13 de fevereiro e é muito emocionante. Ela nos faz acreditar que os nossos melhores dias, sem dúvidas, foram aqueles vividos durante nossa linda infância. Vai aqui, na íntegra, o texto de Schulz...


"Caros amigos,

Eu tive a honra de desenhar Charlie Brown e seus amigos por quase 50 anos. Foi a realização de minha ambição de infância.

Infelizmente, eu não tenho mais a capacidade de manter o ritmo necessário para uma tirinha diária. A minha família não deseja que Peanuts seja continuado por mais ninguém, portanto eu estou anunciando a minha aposentadoria.

Eu sou muito agradecido por todos esses anos, pela lealdade de nossos editores e o apoio maravilhoso e amor expressado pelos fãs da tirinha.

Charlie Brown, Snoopy, Linus, Lucy... como eu poderia esquecê-los..."

Charles Schulz

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Por: Franco Neto.
Formado em História pela UESPI e Pós Graduado em Estado, Movimentos Sociais e Cultura.
Professor de História do Município de Teresina - Piauí.


Não me considero Marxista, mas o que é mais revoltante naqueles que criticam a obra de Karl Marx é o fato de que em sua grande maioria, os críticos do marxismo são absolutamente perdidos no tempo. Na ânsia de tentar destruir uma leitura histórica da sociedade, disseminam sua ignorância e seu contentamento com o estágio atual de nossa sociedade pós-moderna latino-americana. O colonialismo ianque estacionou na mente deturpada de boa parte dos pseudo-intelectuais que julgam-se possuidores de uma habilidade que os torna imunes da influência das teorias políticas e sociais, provenientes do "velho mundo". Convenhamos, mas estes pobres mortais alienados estão contaminados pelo vírus do capitalismo moderno, que a todos aprisiona em uma bolha de "segurança" e propagam a todos os incautos sua total "liberdade de pensar", acreditando serem indivíduos autênticos, profetas modernos detentores de todo o saber. Hipócritas!!! Corrompidos até as entranhas por um pensamento pequeno-burguês de quinta categoria. Negar o marxismo, é negar a história como processo humano. Atribuir ao marxismo as atrocidades cometidas por ditadores como Stalin e Mao Tsé é mostrar-se completamente ignorante. Ao marxismo o inferno, mas ao pensamento neo-liberal, manipulador e cruel dos norte-americanos o céu dos justos. Não seria também o pensamento capitalista, defendido com tanto amor por tantos pseudo-intelectuais avessos à Marx, também causador de atrocidades imensuráveis??? Não é o capitalismo cruel de hoje que dizima milhares e milhares de seres humanos em nome do desenvolvimento? Não são os norte-americanos (super heróis do mundo) os vis detentores da verdade absoluta, que esmaga e impõe através das armas o seu pensamento "libertador", "democrático", "ético", "justo" e "cristão"???? Hipócritas! A vocês desejo o pior de todos os castigos... ter a mente devorada pelos vermes putréfatos da ignorância. RESPEITEM A HISTÓRIA!!!




Por: Franco Neto.
Formado em História pela UESPI e Pós Graduado em Estado, Movimentos Sociais e Cultura.
Professor de História do Município de Teresina - Piauí.
AINDA ESTOU ESPERANDO!!!

Sem sono agora. Ouvindo Spin Doctors. Faz um calor daqueles. Não sou o único a estar acordado neste momento. Quase 2 da manhã e algo estranho paira no ar... Textos acadêmicos não trazem nenhuma contribuição agora. Um grande abraço seria bem melhor; uma escaldante xícara de café, talvez. Teus olhos no escuro brilham tanto quanto minhas tatuagens... Bem melhor essa luz do que o negro vazio desse silêncio e esta incerteza que agora devora o quarto inteiro. Desculpas talvez sejam necessárias, ou talvez não... Can't kick the habit chegou ao fim e a madrugada mal começou. Então acho que poderemos começar de novo. Quem sabe então esse colchão inflável infame, inflame infalivelmente antes que mais um dia chegue e nos acorde desse sonho louco. E loucos seremos outra vez. E então!?... você vem comigo? Acho que sim, pois só você entenderá estas malditas e mal escritas linhas tortas.



Por: Franco Neto.
Formado em História pela UESPI e Pós Graduado em Estado, Movimentos Sociais e Cultura.
Professor de História do Município de Teresina - Piauí.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014



PESAR

Eu era apenas uma luz opaca no fim do corredor sombrio.
Escalador de memórias tristes e nada mais.

Eu viajei escondido no sonhos de quem não me sentia.
Moribundo, déspota de minhas memórias fugidias.

Eu queria saber de onde vinham os sorrisos falsos.
Mas me esqueci de esconder os que trazia guardado comigo.

Eu desejei a morte a cada dia de imensa claridade.
Mas adormecia sempre na calçada, esquecido pela noite.

Eu fugi de medo dos olhares que me apontavam os erros.
Mas enfrentei os piores dias ao lado da agonia dos sentidos.

Eu vislumbrei o infinito no fim da própria existência
Mas deparei-me com o vazio imenso da escuridão das almas.

E o frio me encontrou sozinho,
E eu não podia mais correr fugindo de mim mesmo.
E agora as cinzas me cobriram o corpo inteiro,
E escondido observei os astros que caiam no vácuo.
E sempre que passas eu me oculto,
E agora não resta mais nada de quem um dia eu fui.
Então eu esperei o fim da estrada,
Mas tudo o que encontrei foram mais pegadas rumo ao nada.


Por: Franco Neto.
Formado em História pela UESPI e Pós Graduado em Estado, Movimentos Sociais e Cultura.
Professor de História do Município de Teresina - Piauí.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014


O TEMPO!

É uma constatação lógica. O tempo é, definitivamente, um dos deuses mais lindos! Do momento do nascimento, onde começamos a fantástica jornada através de um turbilhão de emoções cotidianamente vivenciados, até o momento sombrio e misterioso de nossa morte, o tempo está sempre presente, atuando diretamente sobre nós, conduzindo-nos pelo caminho da vida.
É engraçado perceber, mas nem sempre nos damos conta de sua presença, pois que o tempo é um ente cósmico e metamórfico que nos confunde com sua essência sempre variável. A percepção humana do tempo é bem diferente da que os animais possuem. Nossos sentidos apurados condicionaram-nos a sentir o tempo em todas as suas peculiaridades. Possuímos sensações sobre a passagem do tempo que vão da lentidão, passando para a rapidez e finalmente chegando à sensação de perda e de retorno.
Quando somos crianças, o tempo assume uma dimensão diferente, e como uma textura palpável é nosso aliado. Os dias passam leves e atrativos, sempre cheios de tesouros mágicos em momentos de extrema descoberta. As noites infantis são de puras revelações, de sonhos fantásticos e inebriantes, permitindo assim, ultrapassar com facilidade, as barreiras do mundo físico, nos deixando adentrar no mundo dos espectros de luz, onde a noção de tempo é percebida de maneira diferente pela densidade de nosso corpo biológico. O tempo para as crianças é sempre assim: enigmático e amistosamente companheiro da doce juventude. Arrasta-se sem pressa. É como se outro deus fosse... o INFINITO.
Mas quando se é adulto, o tempo tem outra consistência. Torna-se dinâmico e cheio de compromissos inadiáveis. É inabalável e assemelha-se às corredeiras de um rio caudaloso, onde as águas fluem violentas em um ritmo frenético e contínuo. É inexorável, incorruptível e escravizador. O tempo tem aqui, seu próprio tempo, é senhor absoluto de todas as vidas, conduzindo-as através da sucessão das horas que agora voam. Não se demora mais. Não acaricia os sonhos durante a noite. O tempo parece que também tornou-se adulto. Não é mais um companheiro irresponsável e brincalhão. Está muito mais para ferrenho adversário, algo com quem se tem que negociar constantemente. Torna-se mais pragmático e assume uma cara sisuda, sempre cheio de afazeres inadiáveis. O tempo não encontra mais espaço para devaneios ou quimeras juvenis. Não é mais afável, como aquelas nuvens branquinhas, feito algodão doce, onde quando crianças, imaginávamos desenhos de animais e objetos. O tempo é algo com quem se luta, é algo a ser vencido e não vivido. É um inimigo cruel de nossos melhores momentos.
Mas, depois de tanto correr, o tempo passa, e então se revela como realmente deve ser compreendido: o tempo é um deus. Encontramos na velhice o aprendizado árduo de tanto tempo vivido. Podemos ver nas paginas do tempo o nosso livro ali impresso. Podemos vislumbrar também as marcas deixadas em nosso corpo pelas lutas travadas. Aqui o tempo se mostra brando, mas no mesmo instante tênue, como se por um fio estivesse. Mostra-se frágil, finito em sua gigantesca vontade de perpetuar-se. O tempo nos faz nostálgico, escaladores das altitudes monstruosas de nossas lembranças. O tempo é corrosivo. Sentimos sua fluidez gasosa, e seu cheiro de intensa saudade faz a alquimia que transforma em lágrimas nossas lembranças mais doces. O tempo se dobra sobre nós. Aquece desejos que não mais são palpáveis. O desejo da juventude que já não volta. O colo materno, o primeiro passo, o primeiro brinquedo. O tempo não olha mais para trás. E se não olha, não pode retornar por onde veio. O desejo do regresso contrasta com as rugas que denunciam que o tempo, esse deus que se mostra agora tão cruel, já não pode mais voltar e passou rápido demais. Na velhice o tempo mostra sua face mais tenebrosa. Ele vislumbra um vazio e uma solidão que torna a alma cambaleante, sensível e solitária. No desejo de eternidade o anjo da morte nos espreita. Ele também é escravo do tempo, mas nunca chega cedo ou tarde demais. Chega sempre na hora certa. Na hora em que o tempo já não nos basta mais.

Por: Franco Neto.
Formado em História pela UESPI - Universidade Estadual do Piauí
Pós-Graduação em Estado, Movimentos Sociais e Cultura.
Professor de História do Município de Teresina – Piauí.
MANIFESTO AOS VERDADEIROS PATRIOTAS 

O que é ser brasileiro? O que é ser patriota e realmente assumir o papel de um cidadão preocupado com os destinos da pátria? Será mesmo que fazemos jus ao hino nacional, que exalta em um de seus trechos, a nossa bravura e a nossa falta de medo diante da morte e dos obstáculos? Recentemente, em um bate-papo com meus alunos durante o intervalo para a merenda, fui questionado sobre a copa do mundo e sobre minha expectativa com a seleção brasileira de futebol. Respondi que apesar de gostar de futebol e de até torcer para um time de grande expressão nacional, não estaria apoiando a seleção brasileira de futebol e tão pouco aprovando a realização desta copa do mundo em solo brasileiro. Lembro-me de ter dito que existem preocupações outras no momento e que torceria contra a seleção como forma de protesto diante de tantos descasos, na saúde, na educação, na segurança, no transporte público, na impunidade dos corruptos, etc. A reação foi imediata. Na opinião deles, como eu, um professor de História, seria tão antipatriota a ponto de desejar a derrota da seleção brasileira? Isso me deixou um tanto quanto intrigado, pois não pude deixar de fazer uma relação entre o pensamento dos meus alunos e o pensamento da maioria das pessoas que conversam comigo sobre o mesmo assunto. Todas, sem exceção taxam-me de traidor da pátria e me condenam ao abismo dos desertores apátridas. Isso ficou martelando em minha cabeça por dias a fio. A questão sobre patriotismo sempre me instigou e nunca me satisfiz com a noção equivocada e falsa que foi construída desde os meus tempos de escola. Nossa história, escrita de cima para baixo, com heróis fabricados sobre encomenda, para satisfazer aos egos daqueles que sempre tiveram o poder nas mãos, foi pródiga em idealizar o patriota perfeito. Mas aqui a verdadeira tentativa não foi a de forjar o patriota, mas sim o do perfeito idiota, que a tudo assiste e engole. Nossa história é única em enganação e mentiras. Temos momentos de beleza épica, isso é inegável, onde os ideais de liberdade realmente foram o farol a guiar os verdadeiros heróis nacionais. Mas quiseram os donos do poder o esquecimento desses verdadeiros patriotas. Que o digam os alfaiates de 1798, que o digam os negros, índios, mestiços, vaqueiros e roceiros do 13 de março de 1823. Longe de serem inconfidentes fiéis apenas aos seus próprios desejos de substituição de uma forma de poder por outra, representaram a seu tempo os verdadeiros ideais de liberdade. A escravidão dos negros e o extermínio dos nossos índios ainda hoje são tratados como assuntos menores, muitas vezes ignorados propositadamente ante a grandeza da hipocrisia dos fantoches criadores da "independência" e de nossa "república das bananas". Muitas vezes chego a acreditar naquela máxima que diz que o Brasil é um país que não deve ser levado a sério. Vê-se de tudo por aqui, menos aquilo que seria o mais importante: a coerência em nossas ações. Sei que o esporte é um importante veículo de socialização, entretenimento e até mesmo de inclusão social. Sei também que em um país tão cheio de mazelas e demandas sociais, o futebol por muitas vezes serve como uma válvula de escape para muitos que sofrem as agruras de uma vida tão carregada de necessidades. Mas o que assistimos hoje não se trata de uma salutar forma de disputa esportiva, antes o que se vê é uma corrida desesperada pelos dividendos astronômicos que o futebol ao longo do tempo conseguiu alcançar. A supervalorização de jogadores e a elevação destes à categoria de verdadeiros deuses trouxe uma visão deturpada daquilo que seria o verdadeiro propósito dessa prática esportiva. A realidade cruel do mundo do futebol nos mostra que nem todo jogador tem seu nome elevado ao panteão olímpico. E isso pouco tem a ver com sua habilidade com a bola, longe disso, está muito mais atrelado ao domínio da especulação e da manipulação de sua imagem pela mídia selvagem "fabricante de heróis". Para as pessoas comuns, para aqueles que consomem o que é fabricado como algo essencial para suportar as dificuldades da vida, esses heróis significam muito, muitas vezes até a própria vida. Movidos por esse ciclo vicioso é imperativo então se criar uma máquina fabricadora de sonhos e sugadora de mentes. O cenário hoje é diferente, mas a ideologia é a mesma utilizada nos piores anos da história recente de nosso país. Durante a Ditadura Militar (1964 - 1985), os homens do poder criaram um país que dava certo. O país do futuro. Rico, afortunado, próspero, pacato, ordeiro e de povo trabalhador. O Brasil que dava certo era o país do carnaval, das belas mulheres e da melhor seleção de futebol do mundo. Isso motivava a massa trabalhadora a acreditar, mesmo diante de tantas dificuldades, que tudo era justificável para se chegar ao degrau que o Brasil realmente merecia, até mesmo as torturas, execuções e exílios. Tudo era permitido, pois o país seguia incólume seu rumo para um futuro brilhante. Pura hipocrisia ideológica! Hoje os tempos são outros, mas o Brasil continua tão hipócrita quanto antes. Nossos governantes continuam vendendo nossa imagem de país do futuro. Terra de oportunidades, país do sol, do carnaval, do samba, das belas mulheres, da melhor seleção de futebol do mundo, país das oportunidades, país da inclusão social, da distribuição de renda e do povo mais pacífico do mundo. Tudo isso sem torturar, assassinar ou exilar. Mas isso não torna o Brasil menos violento do que antes. Senão vejamos: O Brasil, é estatisticamente o país mais violento do mundo, seja no trânsito ou em qualquer outro indicativo que se possa analisar. É o país onde mais se pagam impostos e um dos países com os piores resultados obtidos em avaliações sobre a qualidade de sua educação pública. É o país onde mais ocorrem assassinatos, superando qualquer guerra moderna. É um dos piores quando o assunto é a utilização do dinheiro público, e aqui chegamos ao ponto que interessa e que tanto tem me perturbado ultimamente. Se por aqui se tem tanta corrupção e se os políticos envolvidos em desvios e falcatruas saem impunes de seus crimes, muitas vezes perpetuando-se em seus cargos, por que eu seria antipatriota por não apoiar a seleção brasileira na copa do mundo? Por que fechamos os olhos para o que realmente interessa? A quem interessa nosso descaso? Serei eu mesmo um apátrida anárquico e pervertido social? Para início de conversa é preciso que se esclareçam alguns pontos importantes. Em primeiro lugar, a copa do mundo do Brasil está sendo a copa mais cara da história, e isso em um país onde faltam leitos em hospitais, onde faltam médicos e cotidianamente pessoas morrem em filas de hospitais e postos de saúde espalhados por todo o país, graças ao descaso dos governantes com a população que precisa de saúde pública. Todos os custos da copa estão sendo financiados com dinheiro público e não com o da iniciativa privada, como foi acordado na ocasião em que o Brasil foi escolhido como país sede. Este mesmo dinheiro público é o que falta para que no Brasil se tenha uma escola pública de qualidade. É inacreditável que ainda existam no Brasil milhões de analfabetos, que existam escolas caindo aos pedaços, onde alunos assistem às aulas, sentados em carteiras quebradas e até mesmo sentados no chão. É inaceitável que milhares de professores que dedicam suas vidas ao magistério sejam tratados como vagabundos pela grande maioria das "autoridades" desse país e tenham no final do mês um salário que mal dá para o sustento da família, obrigando estes professores a cumprir uma jornada dupla, e até mesmo tripla de trabalho exaustivo que afeta muitas vezes sua própria saúde. É inconcebível que os idosos deste país, após anos de trabalho árduo sejam brindados com aposentadorias irrisórias enquanto os "homens da lei", que mal cumprem com seus horários em câmaras legislativas espalhadas por todo o Brasil, se aposentam com verdadeiras fortunas. É lastimável que em nosso país um trabalhador que arduamente suporta uma carga de trabalho extenuante ganhe tão pouco, e ainda seja obrigado a utilizar-se de um transporte público tão imundo e caro quanto o oferecido em nossas grandes capitais. Muitos destes trabalhadores sequer têm acesso a qualquer tipo de assistência médica ou previdenciária. É triste constatar a presença nociva de veículos de comunicação tão comprometidos com a política partidária e completamente subservientes ao sistema de poder político estabelecido no país, em uma clara demonstração de manipulação de consciências através de programas alienantes e aliciantes de uma juventude frágil e exposta. É temeroso ver o monstro televisivo fabricar a todo instante, personalidades fictícias que ganham vida e provocam a escravidão das consciências com novelas de gosto duvidoso, a sexualidade escancarada em ritmos modistas que são verdadeiros caça-níqueis à custa da imbecilidade de uma nação onde a cultura não é a prioridade. Em segundo lugar, a seleção brasileira de futebol está cumprindo um papel nefasto que já foi cumprido antes. Sua função é a de mascarar uma realidade que a todo instante deseja tornar-se conhecida de todos. Nossos hipócritas governantes desejam calar as consciências livres deste país, para que seus planos de poder perpétuo se concretizem. O futebol hoje a muito que deixou de ser apenas uma prática esportiva e passou a representar o que há de mais imundo e sórdido no mundo do dinheiro. Nossos jogadores podem até se destacar como esportistas, mas longe estão de preocuparem-se com as mazelas de nosso país. Para dizer tudo isso que estou falando, é preciso ser muito apaixonado pelo Brasil e fazer de tudo para que os olhos dos que dormem deitados em berço esplêndido finalmente acordem para a realidade. Não é simplesmente torcer contra, ou desejar o mal alheio, mas antes de tudo, uma questão de consciência patriótica. A derrota da seleção brasileira seria o tiro que saiu pela culatra. Analogicamente seria o sino que despertará milhões de letárgicos para os desmandos de um país em que as pessoas ainda morrem de desinteria por falta de tratamento d'água e saneamento básico. A derrota da seleção brasileira mostraria a semelhança do Brasil de hoje com a França pré revolução de 1789. Lá, Luís XVI gastava dinheiro público com o luxo da corte e com festas monstruosas, enquanto a população morria de fome nas calçadas de Paris. Aqui, nossos "reizinhos" também gastam o dinheiro público em estádios luxuosos e obras faraônicas, enquanto os trabalhadores e povo simples amarguram filas para marcar simples consultas. Nossas autoridades torram dinheiro público com o custeio de gabinetes e de cargos de confiança, com a compra de passagens aéreas para viagens internacionais de políticos e seus familiares enquanto nossas estradas diariamente transformam- se em abatedouros humanos. O Brasil ao perder a copa mostrará suas feridas purulentas e então será difícil segurar o descontentamento da multidão. Eles querem a todo custo ganhar, sonham desesperadamente por uma vitória. Só assim continuarão a fazer do país seu playground. Enquanto o povo comemoraram vitória que não é sua, eles comemoração a perpetuação desse estado de desmando e de roubo. Então eu discordo dos meus alunos que me chamaram de antipatriota, e grito a plenos pulmões: eu sou sim um patriota, porque percebo tais distorções em nosso frágil tecido social e não me acomodo diante deste quadro. E esse manifesto tem um único objetivo: Fazer com que os verdadeiros patriotas apareçam e gritem pela verdadeira independência do nosso país. Apareçam patriotas! Está na hora de fazermos a nossa revolução. Gritemos também sem medo: "Não faço parte desta farsa e torço contra a seleção na copa do mundo. Quero um país de verdade, onde a educação seja tratada com dignidade, para que todos tenham liberdade plena. Onde exista saúde e segurança para todos. Onde o direito de livre pensamento não esteja expresso apenas em belas linhas em nossa Constituição de gaveta. Acorda Brasil!". Esse grito precisa ecoar por todo o país. Esta seleção não me representa e este não é o país que eu desejo para o futuro. O exemplo dado aos nossos jovens por esses jogadores não é dos melhores, e a copa, se ganha, nada trará de mudança para a vida do cidadão comum, mas ao contrário, encherá de dinheiro os cofres e bolsos daqueles que sempre se aproveitaram da ingenuidade do povo: dirigentes oportunistas, políticos corruptos e jogadores pouco interessados pelos problemas sociais do país. Nesta copa, seja patriota, torça contra o Brasil! 


Por: Franco Neto.
Formado em História pela UESPI e Pós Graduado em Estado, Movimentos Sociais e Cultura.
Professor de História do Município de Teresina - Piauí.