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quarta-feira, 14 de maio de 2014

PESAR

Eu era apenas uma luz opaca no fim do corredor sombrio.
Escalador de memórias tristes e nada mais.

Eu viajei escondido nos sonhos de quem não me sentia.
Moribundo, déspota de meus próprios sentimentos.

Eu queria saber de onde vinham os sorrisos falsos.
Mas me esqueci de esconder os que trazia guardado comigo.

Eu desejei a morte a cada dia de imensa claridade.
Mas adormecia sempre na calçada, esquecido pela noite.

Eu fugi de medo dos olhares que me apontavam os erros.
Mas enfrentei os piores dias ao lado da agonia dos sentidos.

Eu vislumbrei o infinito no fim da própria existência
Mas deparei-me com o vazio imenso da escuridão das almas.

E o vazio me encontrou sozinho,
E eu não podia mais correr fugindo de mim mesmo.
E agora as cinzas me cobriram o corpo inteiro,
E escondido eu observo os astros que caem no vácuo.
E sempre que passas eu me oculto,
E agora não resta mais nada de quem um dia eu fui.
Então eu esperei o fim da estrada,
Mas tudo o que encontrei foram mais pegadas rumo ao nada.



Por: Franco Neto.
Formado em História pela UESPI e Pós Graduado em Estado, Movimentos Sociais e Cultura.
Professor de História do Município de Teresina - Piauí.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Esse é um dos meus primeiros textos que insisto em chamar de poema. Não tem título, por isso deixe sua sugestão...


"Um barco...
Várias gaivotas,
O vento tímido e sutil.
O céu, unido-se à linha do mar.

Uma dor...
Pura, constante, insuportável.

Caravelas...
Almas à deriva,
Perdidas na imensidão do dia.

Aprisionastes a mim,
Marujo desajeitado,
Completamente acorrentado às tuas injúrias impróprias.

Tinha então o meu lugar,
Estava esquecido, reservado à tua esquerda,
Da forma como havias me prometido.

Me fiz fiel...
Pontual em todos os teus desejos.

Mas eis então minha sentença
Soturno e perdido
Nas escuras paragens do teu peito."



Por: Franco Neto.
Formado em História pela UESPI e Pós Graduado em Estado, Movimentos Sociais e Cultura.
Professor de História do Município de Teresina - Piauí.
(em algum lugar do passado)

LÁGRIMA!

"O poder do sonho é inviolável
E incorruptível.
É silenciar no escuro do quarto, e
Buscar no íntimo menos escondido,
A chave do futuro que se abre,
Quando os olhos se fecham..."



Por: Franco Neto.
Formado em História pela UESPI e Pós Graduado em Estado, Movimentos Sociais e Cultura.
Professor de História do Município de Teresina - Piauí.
(em um dia qualquer do ano de 1996)

Sou mesmo um sujeito estranho
Amante das noites insones
Devorador de madrugadas esquecidas

Andando sobre corpos frios estirados na praia
Cavalgando na escuridão de cantos ocultos
Aprisionando meus sorrisos que machucam a pele

Nada escrevo em meu testamento
Apenas atesto minha loucura todos os dias
Me escondo da luz do sol e dos olhares duvidosos

Dedos em riste apontam os pecados
Pois sou eu quem corre com medo
Sou eu quem desafia a escuridão da alma

Sou eu quem procura os perigos
Sou eu quem sufoca o teu nome

Mas as noites aqui são tão frias!
Roubam de mim os melhores momentos
Então me esqueço das dores
Entrego-me covardemente à morte que chega sem avisar!


(01/06/2012)


Por: Franco Neto.
Formado em História pela UESPI e Pós Graduado em Estado, Movimentos Sociais e Cultura.
Professor de História do Município de Teresina - Piauí.

PRA VOCÊ, MÃE DE DRAGÕES!

Agora é caminhar... Não me pergunte a direção a seguir, pois nada sei desse futuro que se aproxima...Nos meus tempos de juventude não sabia bem o que esperar, mas sabia tudo sobre onde queria estar. Eis-me aqui... Tudo bem! Já não sou mais tão jovem como antes, mas ainda trago comigo um fervor insano, uma vontade inquieta de sempre ir em frente. Existe uma fagulha, existe um motivo maior. Algo inexplicável que me move, algo que me impulsiona... é como ouvir "Too Much Information" do The Police! É andar sempre por um triz, no fio da navalha. É não esperar muito do futuro, é viver um dia de cada vez como se fosse sempre o último de toda a vida. Não ter planos, esse é o plano perfeito pra quem ainda mantem-se jovem, pra quem tem a alma eterna. Não saber pra onde se quer ir às vezes é o melhor caminho pra se seguir. Mas não saber pra onde ir não significa ficar inerte. Se tiver que mudar não sentirei dificuldades, camaleão que sou, existo sempre na medida certa dos meus desejos mais ousados, sempre ávido por mudanças e de rotas alteradas.



Quanto ao resto? É viver...
Intensamente saborear do veneno doce e das loucuras da vida... sem medos, sem preconceitos, mas sempre com você a saborear comigo mais uma dose, mais um suspiro, mais uma tarde de sangue, açúcar, sexo e magia... como se jamais tivesses saído de perto de mim...

Nosso futuro começa agora, bem debaixo dessa frondosa árvore chamada REALIDADE, que se descortina pra nós como no palco de um teatro escuro, onde juntos poderemos beber das loucuras mais desvairadas e sorrir deliciosamente de nossos próprios medos, da maneira que só os velhos que não perderam a juventude sabem fazer!!!

Mãe de dragões, cá estou!!!
Em tuas asas púrpuras deitarei meus pés cansados da viagem que empreendi à tua procura. Agora só te resta acolher-me.



Por: Franco Neto.
Formado em História pela UESPI e Pós Graduado em Estado, Movimentos Sociais e Cultura.
Professor de História do Município de Teresina - Piauí. 



Hoje, decepcionado com o modo como a Educação Pública é gerida. Se já não fosse suficiente o desrespeito com os professores, explicitamente praticado, com falta total de recursos para se trabalhar, baixíssima remuneração e escolas sucateadas, eles estão conseguindo acabar também com o bem mais precioso de quem trabalha em sala de aula: o amor em transmitir conhecimento. Dessa forma eles vão conseguir o que tanto almejam: o fim da educação como a chave de transformação da sociedade. Hoje estou me decepcionando, me sentindo desmotivado, desprestigiado. É muito ruim a sensação que se tem de que o trabalho não é executado da forma como deve ser o correto. Manipulam, ameaçam, te usam. 

Quando estava na Universidade, eu já sabia que a educação não era o "mundo maravilhoso" que muitos pedagogos querem te fazer acreditar. Mas sempre tive a consciência de que o trabalho do professor é um trabalho de formiga. Lento, árduo, cansativo... mas extremamente recompensador. Ver a transformação de uma vida, e ter a certeza de que essa mudança tem relação com uma palavra, ou uma ação praticada por um professor em sala de aula, é algo inexplicável. Mas isso tudo está sendo corrompido. Querem nos fazer robôs. Querem que sejamos meros bonecos. Não querem deixar que o professor seja um transformador da realidade de muitos estudantes que ainda clamam por conhecimento.
Desculpem o desabafo, mas hoje sinto-me fraco, desamparado e impotente diante daquilo que querem fazer da profissão de professor...



Por: Franco Neto.
Formado em História pela UESPI e Pós Graduado em Estado, Movimentos Sociais e Cultura.
Professor de História do Município de Teresina - Piauí. 

VERTIGEM

Meus olhos vermelhos denunciam minhas loucuras nesta manhã cinza.

Debruçado sobre meus erros eu já não sei mais quem sou e nem onde estou.
Da vida o que já vi parece pouco e vivo sempre andando, perdido feito um louco.

Então é hora de sair do telhado e abrir todas as janelas.
Deixar a brisa varrer a poeira dos móveis e dilatar minhas narinas obstruídas pela ânsia de minha última madrugada de quimeras.

Que o fogo me devore... em suaves sensações entorpecentes.
Que me queime por inteiro, até que restem apenas cinzas no braseiro.

E os pesadelos já não causam tanta dor.
E minhas horas não serão mais tão frias.
Os teus beijos já não sangram minha alma.
Já não tenho as mãos mais tão vazias.


Por: Franco Neto.
Formado em História pela UESPI e Pós Graduado em Estado, Movimentos Sociais e Cultura.
Professor de História do Município de Teresina - Piauí.